Thaís Andrade; 23/07/2025 às 14:22

Teatro: ‘Viper Paradise’ conquista seis prêmios no XXXII FESTIVALE

Espetáculo da Companhia Transversal de Artes Integradas (AM) reafirma a força das narrativas trans no teatro brasileiro

A Companhia Transversal de Artes Integradas (AM) foi destaque no XXXII FESTIVALE – Festival de Teatro do Vale do Paranhana, levando para casa seis prêmios com seu espetáculo de estreia, “Viper Paradise”, além de conquistar nove indicações na categoria adulto. A montagem marcou o festival com uma estética pulsante e uma narrativa que rompe barreiras, emocionando plateia e crítica. O festival aconteceu neste mês de julho, na cidade de Rolante (RS).

Foto: Divulgação

Entre os prêmios conquistados estão os de Melhor Espetáculo, Melhor Direção (Felipe Maya Jatobá), Melhor Texto Original (Felipe Maya Jatobá), Melhor Trilha Sonora, Melhor Atriz (Nicka) e Melhor Ator Coadjuvante (Felipe Maya Jatobá). O espetáculo também foi indicado nas categorias de Melhor Caracterização, Melhor Figurino (Henrique Dias) e Melhor Iluminação.

Mais do que uma vitória artística, o reconhecimento carrega um profundo valor simbólico. “Viper Paradise” é a primeira obra teatral da Companhia Transversal de Artes Integradas e foi concebida por um coletivo majoritariamente formado por pessoas trans, periféricas e amazônidas. “Ver essa obra reconhecida de forma tão intensa e afetuosa nos enche de emoção, coragem e esperança”, afirma a atriz Nicka, fundadora da companhia.

Para o grupo, cada prêmio recebido é uma resposta sensível da cena teatral à presença de corpos e vozes historicamente excluídos. “São portas que se abrem para narrativas que carregam memória, política, sensualidade e presença. É um reconhecimento que nos diz: sim, existe espaço para nós. Sim, nosso trabalho importa”, diz ela.

Repercussão

Durante a apresentação de “Viper Paradise” no festival, a recepção do público foi comovente. “A plateia estava visivelmente emocionada, atenta, respirando com a gente”, relata Nicka. Após o espetáculo, um debate reuniu espectadores para compartilhar impressões, fazer perguntas e parabenizar o grupo.

“O mais bonito foi ver que uma parte significativa do público permaneceu para nos ouvir, fazer perguntas, trocar impressões e nos parabenizar. Esse espaço de escuta e diálogo reforçou pra nós o quanto a obra chegou no outro. Foi mais do que uma apresentação: foi um encontro real”, relembra Nicka.

Ainda segundo a fundadora, o diferencial de Viper Paradise está, antes de tudo, em quem faz e como faz. Por ser um espetáculo protagonizado, dirigido, escrito e produzido por pessoas trans e isso, por si só, romper com a lógica excludente de muitos espaços cênicos.

“Mas para além da representatividade, o diferencial está na forma como a obra se constrói: uma estética potente que mistura memória, sensualidade, boate, glamour, abandono e afeto, tudo embalado numa dramaturgia autoral e profundamente sensível. O espetáculo convida o público a entrar nesse universo através da emoção e da interação. É um teatro que olha nos olhos, que dança junto, que provoca e abraça”, finaliza ela.

Sinopse

Ambientada durante o período mais violento da ditadura militar, Viper Paradise se desenrola na boate de mesmo nome, local comandado por Verônica Bourbon, interpretada pelo ator Felipe Maya Jatobá. A boate, vibrante e cheia de brilho durante a noite, revela-se um espaço de acolhimento, mas também de tensão e perigo quando o dia amanhece.

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