Nesta terça-feira (19), alunos do 2º ao 5º ano de 12 Escolas Municipais Indígenas (EMIs) de Boa Vista irão participar de uma vivência cultural no Teatro Municipal de Boa Vista, por meio do projeto “Escola Vai ao Teatro”.
A programação traz a apresentação do espetáculo “A Maravilhosa História do Sapo Tarô Bequê”, inspirado na obra do escritor amazonense Márcio Souza, um dos grandes nomes da literatura brasileira.
A peça será encenada pela Associação dos Artistas Cênicos do Amazonas – Arte & Fato, como parte do projeto “INFÂNCIAS – Nos beiradões do grande rio”, que circula pelos estados do Amazonas, Roraima e Pará.
O translado dos estudantes será realizado em transportes escolares disponibilizados pelas próprias unidades de ensino.
A tradição da oralidade amazônica em cena
O espetáculo resgata a tradição da oralidade do povo Tukano, narrando a jornada do Sapo Tarô Bequê, personagem que sonha em se tornar humano.
Transformado pelo Pai do Mato, Cainhamé, e unido à Moça Juruti, criada da folha do tajá, Tarô Bequê precisa provar-se digno conquistando o fogo guardado pelo temido feiticeiro Urubu-Rei.
A narrativa atinge o ponto alto quando o protagonista enfrenta a tragédia na maloca dos mortos, em uma releitura regional da célebre jornada de Orfeu em busca de Eurídice, adaptada à mitologia amazônica.

Formação de novas plateias
Para o presidente da Fundação de Educação, Turismo, Esporte e Cultura de Roraima (Fetec), Dyego Monnzaho, a iniciativa vai além do entretenimento e fortalece o papel pedagógico da arte:
“O projeto ‘Escola Vai ao Teatro’ fortalece a formação de novas plateias e amplia o acesso cultural. Nesta edição, teremos um grupo de Manaus que, além de apresentar uma grande produção, traz a valorização da obra de Márcio Souza, proporcionando aos alunos uma experiência única de intercâmbio artístico e cultural”, destacou.
A produção também chama atenção pelo cuidado artístico e pela equipe envolvida. A dramaturgia é de Márcio Souza, com direção geral de Douglas Rodrigues.
A direção musical fica a cargo de Jeferson Mariano e Regina Santos, enquanto o cenário e figurinos foram assinados por Douglas Rodrigues, com confecção de Dione Maciel, Solange Ramos, Rosa Malagueta e colaboração de comunidades indígenas como o Assentamento Waimiri Atroari. A maquiagem e a produção executiva são da AACA – Arte & Fato.
O elenco principal conta com Israel Castro (Sapo Tarô Bequê), Karol Medeiros (Juruti), Michel Guerreiro (Mucura e Missionária), Idelson Mouta (Urubu Rei), Acácia Mié (Cobra Surucucu) e Leonel Worton (Cainhamé).
O coro coreográfico reúne Mário Jorgi, Sam Kelwen, Miro Messa e Eduardo Oliveira. Já os músicos são Alan Jones (percussão), Jeferson Silva (efeitos e flautas), Regina Santos (efeitos e flautas) e Anderson Barreto (flautas).

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